Merenda escolar: vereadores apontam desorganização e falta de alimentos; Prefeitura nega desabastecimento

Relatos de falta de alimentos marcaram o primeiro dia de aula na rede municipal de ensino de Ponta Grossa, após a terceirização do serviço de merenda escolar para a empresa Omega Alimentação. Vereadores relataram situações de desorganização e quantidade insuficiente de comida em diferentes escolas do município.

De acordo com os parlamentares, as situações relatadas não estariam relacionadas à atuação de professores, diretores ou merendeiras, mas sim a falhas no planejamento e na execução do fornecimento da merenda escolar.

Segundo vereadora, unidades enfrentaram dificuldades com a merenda

Durante esta manhã, a vereadora Joce Canto (PP) visitou quatro unidades da rede municipal de ensino para acompanhar a situação da merenda escolar no início do ano letivo. As visitas ocorreram na Escola Aldo Bonde, Escola Amadeu Puppi, Escola Raul Pinheiro Machado e no CMEI professora Salete Dimbarre. Segundo ela, o que foi encontrado nas unidades foi um cenário de desorganização no sistema de fornecimento de alimentos.

“Hoje visitei quatro escolas municipais para acompanhar de perto a realidade da educação em nosso município, especialmente no que diz respeito à merenda escolar, um direito básico das nossas crianças.
O que encontramos nessas visitas foi um sistema de fornecimento de merenda escolar totalmente desorganizado, sem o planejamento e a competência que haviam sido prometidos aos munícipes”, conta. Ainda de acordo com a vereadora, a situação só não se agravou devido à atuação das equipes das escolas.

Joce também relatou que, em alguns casos, foi necessário utilizar alimentos do ano anterior. “Em alguns casos, foi necessário recorrer ao estoque de alimentos fornecidos no ano anterior, que felizmente ainda estavam em condições adequadas para atender à demanda emergencial.”

Em vídeo publicado nas redes sociais, a vereadora constata com dados a falta de frutas, verduras e pães em algumas das escolas visitadas. De acordo com o relato, em uma unidade com cerca de 500 alunos, teriam sido entregues apenas 11 bananas. Já em outra escola, com aproximadamente 125 estudantes, a instituição recebeu 50 pães.

Comunidade escolar denuncia a situação

Sobre o fato, o vereador Guilherme Mazer (PT) recebeu denúncias feitas por cozinheiras, educadores e pais de alunos indicando os problemas na quantidade e na qualidade dos alimentos que foram fornecidos nas escolas municipais. Segundo o parlamentar, as denúncias apontam preocupação com o impacto do novo modelo de fornecimento da alimentação escolar no dia a dia das unidades.

Em relação a isso, Mazer afirma que apresentou uma emenda ao Projeto de Lei nº 476/2025 para evitar a extinção dos cargos de cozinheira, auxiliar de cozinha e serventes escolares. Segundo o vereador, “a manutenção destes cargos é fundamental para que se tenha uma fiscalização sobre a quantidade e qualidade da merenda fornecida às nossas crianças, pois não será uma pessoa contratada pela empresa terceirizada que vai denunciar irregularidades no fornecimento dos alimentos”.

Além disso, o vereador relembra que na próxima segunda-feira, dia 8 de fevereiro, será realizada uma sessão extraordinária, e convocou pais e responsáveis a acompanharem a votação e cobrarem a aprovação da emenda.

Relatos sobre entrega insuficiente de alimentos

O vereador Geraldo Stocco (PV) também visitou e afirmou ter recebido relatos de falta de comida em escolas municipais no primeiro dia de aula. Segundo ele, houve problemas inclusive no atendimento de alunos com dietas especiais. “Hoje faltou comida em muitas escolas municipais… Aqui no Djalma, uma escola referência, não teve alimentação para criança que tem o espectro autista e pra crianças com outras seletividades alimentares, coisa que nunca aconteceu antes”, afirma.

Stocco também citou, assim como Joce, situações envolvendo a entrega de alimentos de forma reduzida: “Numa escola na Coronel Cláudio, a empresa falou que cada criança vai receber uma bisnaguinha de pão. Na outra, era pra ser cachorro-quente e só foi pão seco. Teve escola que recebeu dois cachos de banana ontem e as aulas começaram hoje”.

O vereador destaca que a responsabilidade não recai sobre os profissionais das unidades escolares.

Prefeitura nega desabastecimento

Procurada pelo Portal Fornazari.com, a Prefeitura de Ponta Grossa informou, por meio de nota, que o fornecimento da merenda escolar ocorreu normalmente em todas as unidades da rede municipal.

“A Prefeitura de Ponta Grossa esclarece que o fornecimento de refeições nas 160 Escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) da cidade transcorreu normalmente nesta quinta-feira (5). Todas as unidades possuem estoques suficientes para atender a demanda de seus alunos; além dos alimentos que são armazenados nas próprias Escolas e CMEIs, itens como frutas e verduras, por exemplo, serão repostos diariamente ou semanalmente (dependendo do tipo de alimento).”

Sobre alunos com dietas especiais, a administração municipal afirmou que o procedimento segue o modelo adotado em anos anteriores, sendo de responsabilidade da direção da Escola ou CMEI enviar o número de alunos e o tipo de seletividade que precisa ser atendida. A partir do pedido, o fornecimento dos alimentos é realizado de forma periódica e com as quantidades adequadas para o número dos estudantes que precisam.

Por fim, a Prefeitura negou a existência de desabastecimento: “Ao longo de todo o dia, profissionais da Secretaria de Educação estiveram presentes em todas as Unidades para verificar o andamento das atividades e fiscalizar o trabalho da empresa responsável; por fim, a Prefeitura reitera que qualquer informação sobre desabastecimento nos estoques das Escolas e CMEIs é inverídica e não corresponde com a realidade destes espaços.”

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