Do céu ao inferno em 8 dias: Operário não atinge liderança e toma goleada trágica

Em oito dias, o Operário Ferroviário perdeu a chance de chegar à liderança da Série B do Campeonato Brasileiro, foi eliminado da Copa do Brasil e tomou uma goleada vexatória em pleno Estádio Germano Krüger.

O próprio técnico Luizinho Lopes, em entrevista coletiva após os 6 a 2 para o Náutico, afirmou que o grupo (ele e os jogadores) mancharam o trabalho realizado até aqui, que contém feitos relevantes como o tricampeonato paranaense, maior série invicta, e o objetivo da 5ª fase da Copa do Brasil.

Uma goleada como essa diante do Timbu deixa sequelas graves e tem um potencial devastador de moral junto à torcida, ainda mais com o combo em sequência.

Possibilidade de liderança e a cabeça no Maracanã

Antes do jogo diante do CRB, o Operário tinha a chance de ter atingido a liderança da Série B em caso de vitória em Alagoas. Apático e desconcentrado, e ao que parece com a cabeça no Rio de Janeiro, tomou 3 a 0.

Chegou então de fato o jogo no Rio de Janeiro contra o Fluminense. Uma partida histórica em que o Fantasma jogava pela primeira vez no Maracanã. Apesar do placar final (2 a 1) representar um resultado normal contra uma equipe de Série A, a postura com baixa intensidade, principalmente no começo do jogo, e erros técnicos fatais, na defesa e no ataque, intrigaram.

Talvez a única condição que o torcedor do Operário não imaginava que fosse presenciar era de um time sem brio. Perder para o Fluminense? Era até provável. Tomar gols em jogadas trabalhadas de jogadores de qualidade do rival? Normal. Mas ter uma postura longe do ‘jogo da vida’ era algo inimaginável nas rodas de conversa. Passou longe do espírito operariano.

Vexame inédito em casa

O início da partida contra o Náutico começou promissora. Era para mostrar que os dois jogos passados tinham contexto peculiar devido à responsabilidade de Copa do Brasil. Um golaço de Pablo em jogada trabalhada e a chance do 2 a 0 com o camisa 92 em mais uma vez de qualidade animaram o torcedor presente no Estádio Germano Krüger.

Porém, o time parou. Caiu na marcação do Náutico, sofreu pressão e tomou a virada ainda no primeiro tempo. Ainda não chovia tanto, mas era um temporal de água fria. Nem mesmo o lance de possível pênalti, que o árbitro deveria ter ido à revisão, são justificativa para voltar no segundo tempo e tomar mais quatro gols.

Jogadores voltavam caminhando na marcação, no que parecia aquela pelada em que teu time já tomou gols suficientes e que não vai ter como reverter, e você decide poupar as pernas correndo atrás dos jogadores de ataque do rival. Só que era uma partida que valia três pontos, televisionada, com torcedores e sócios-torcedores no Estádio, e com os salários em dia.

Tem dias que as coisas não funcionam, que há desânimo no trabalho, mas uma vexame é inaceitável. O Operário não tomava seis gols desde 2010, nas quartas de final da Série D diante do Madureira, com o jornalista do Fornazari.comFelipe Gustavo levantou, mas fora de casa, não em Vila Oficinas.

O treinador Luizinho Lopes tem responsabilidade por não conseguir mobilizar a equipe, não entender o potencial de goleada que se apresentava e fazer substituições questionáveis, como a saída de Moraes quando ele e Feliciano haviam recém-criado duas chances claras de gol, além da manutenção há rodadas de jogadores que entregam pouco pela expectativa criada, como Aylon que – mesmo com a assistência para o gol de Pablo -, é pouco produtivo nos 90 minutos, tendo perdido o gol de empate contra o Fluminense no Maracanã quase embaixo da trave.

Pablo marcou um dos gols do Operário contra o Náutico – Foto: André Jonson/OFEC

Futuro passa por choque de gestão

Mesmo não podendo esquecer o que foi conquistado na temporada, a goleada inadmissível para o Náutico exige postura mais forte do que uma derrota trivial. Se tivesse perdido por 2 a 1 para o Náutico, era uma situação de intervenção. Os 6 a 2 obrigam um choque de gestão, com análise de ambiente, desapego a atletas que rendem pouco no momento e variação de jogo.

Se tiver que afastar temporariamente atletas que estão mal tecnicamente e fisicamente, é preciso fazer – e explicar, para que o torcedor entenda as mudanças e por que jogadores pouco utilizados, ou com menos pompa, vão passar a ser escalados. É preciso entrar em campo com alma. É o mínimo que o torcedor espera, e a principal característica da história alvinegra.

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