Mau cheiro no ar de PG: adubação de lavouras é a principal hipótese do odor
Professor da UEPG aponta uso de dejetos após colheita do milho como possível causa; Sanepar descarta relação com esgoto
Moradores de diferentes regiões de Ponta Grossa relataram, nos últimos dias, a presença de um cheiro forte no ar, descrito como “cheiro de esterco”. As reclamações foram registradas em bairros como Vila Liane, Uvaranas e também na região central da cidade, levantando questionamentos sobre a origem do odor.
Em busca de explicações sobre a origem do odor, a reportagem entrou em contato com especialistas e órgãos públicos. Segundo o professor Orcial Bortolotto, do curso de Agronomia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e coordenador da Fazenda Escola Capão da Onça (Fescon), o cheiro pode estar relacionado a práticas comuns na agricultura, especialmente neste período do ano.
Uso de dejetos após colheita do milho pode gerar odor
De acordo com o professor, o período atual coincide com a colheita do milho destinado à silagem, utilizado na alimentação animal. Segundo Bortolotto, o processo demanda muitos nutrientes, o que acaba extraindo uma diversidade grande de nitrogênio, fósforo e potássio do solo, sendo necessário o alto volume de adubo no momento do plantio.
Após a colheita, ele afirma que produtores costumam aplicar adubos orgânicos no solo, incluindo dejetos de animais, para recuperar os nutrientes do solo. “Após a colheita do milho silagem, para dar uma atenuada e uma reduzida no impacto que a cultura acaba ocasionando sobre o solo, é muito comum nesse período os produtores jogarem dejetos animais por meio de um maquinário específico para isso, um distribuidor de dejeto na lavoura. Então, muitas vezes aproveitam para limpar a esterqueira do gado, principalmente o gado leiteiro, fazendo essa distribuição sobre o solo”, explica.
O professor ainda indica casos em que utilizam a própria “cama de frango” ou ainda “cama de frango peletizada”, tecnologia que traz um aporte nutricional significativo.


Condições climáticas podem intensificar cheiro
Segundo Bortolotto, fatores climáticos também influenciam na percepção do odor, principalmente em períodos secos e com inversão térmica. “É uma prática bastante corriqueira e muitas vezes isso associado ao clima pode acabar trazendo um cheiro mais forte, mais expressivo em algumas épocas… Se observa ali uma própria relação de inversão na camada de ar, inversão térmica, justificando um odor mais acentuado ao entardecer, que acaba trazendo também esse cheiro para o meio urbano”, esclarece.
Ele acrescenta que essa prática é mais comum em áreas com forte atividade agropecuária, como na região de Carambeí, um local com produção intensa de milho silagem e a prática de usar dejetos com a finalidade de enriquecer o solo nutricionalmente.
Sanepar descarta relação com rede de esgoto
A equipe do Fornazari.com também entrou em contato com a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), que informou que não há relação entre o odor e o sistema de esgoto da cidade:
“Não há nenhuma relação com as estações de tratamento de esgoto da Sanepar. Todas as unidades operacionais da Companhia estão operando normalmente na cidade.
A eficiência do processo de tratamento de esgoto adotado pela Sanepar, que utiliza de diversas tecnologias e práticas operacionais com soluções de engenharia, monitoramento e controle biológico, asseguram um mínimo impacto olfativo nas ETEs.”
Prefeitura diz não ter identificação da origem do odor
A Prefeitura de Ponta Grossa informou que, até o momento, não possui informações que confirmem a origem do cheiro relatado por moradores em diferentes regiões da cidade.
Em nota, o município também esclareceu que a fiscalização de práticas agrícolas em áreas rurais não é de responsabilidade direta da administração municipal. O monitoramento é realizado pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR), órgão estadual competente para questões relacionadas à produção agropecuária.
Outros órgãos também foram acionados
A reportagem também entrou em contato com o Corpo de Bombeiros e o Sindicato Rural de Ponta Grossa para obter esclarecimentos adicionais sobre o caso. Até o momento, obtivemos retorno.
