MPL vai às ruas em Ponta Grossa e cobra políticas para moradia digna

Nesta quinta-feira (19), o Movimento Popular de Luta (MPL) realizou uma mobilização em Ponta Grossa pelo direito à moradia digna. A marcha teve início na Praça dos Polacos e seguiu até a Prefeitura, onde representantes do movimento protocolaram um manifesto com reivindicações, incluindo a destinação de 1% do orçamento público para políticas habitacionais.

A ação integra a Jornada Nacional de Lutas do MPL, realizada ao longo do mês de março em diferentes estados do país. Segundo o porta-voz do movimento, Leandro Dias, a mobilização faz parte de uma campanha nacional que busca ampliar investimentos em moradia e reforma agrária.

De acordo com ele, a proposta central da campanha é garantir a destinação de 1% do orçamento público em todas as esferas de governo para a área habitacional. “Na pauta da moradia, nós estamos lançando a campanha do 1% para moradia, 1% do orçamento do governo federal, 1% do orçamento do governo estadual, 1% do governo municipal. 1% do governo municipal, por exemplo, seria R$ 22 milhões de orçamento deste ano, sendo que é zero destinada a moradia popular”, disse.

Déficit habitacional e demandas locais

O movimento também apontou a ausência de políticas habitacionais voltadas à população de baixa renda em Ponta Grossa. Segundo Leandro, o déficit habitacional atinge principalmente famílias com renda entre zero e dois salários mínimos.

“Não tem nenhuma política habitacional para esse segmento nos últimos 12 anos em Ponta Grossa. No estado do Paraná, faz muito mais tempo do que isso”, afirmou.

Entre as demandas apresentadas, está a situação da Ocupação Ericson John Duarte. O movimento cobra a execução de recursos já disponíveis, como uma emenda parlamentar de R$ 1 milhão, que, segundo o porta-voz, está parada há mais de dois anos.

Além disso, há impasses relacionados a investimentos de R$ 15 milhões destinados à infraestrutura da área, incluindo obras de asfalto, drenagem, água e energia. De acordo com o movimento, a execução depende da retirada temporária das famílias do local, o que ainda não foi resolvido.

Reunião na Prefeitura

Durante a mobilização, representantes do MPL foram recebidos por integrantes da administração municipal. O grupo foi atendido por João Horst, da Superintendência de Habitação, e pela secretária de Família e Desenvolvimento Social, Camila Sanches.

Segundo ele, o encontro permitiu a apresentação das demandas e o esclarecimento de pontos relacionados à situação da ocupação. “Fizemos um bom diálogo e avançamos”, afirmou.

A secretária se comprometeu a participar de uma assembleia com moradores no dia 28 de março, para apresentar informações sobre o andamento das ações.

Avaliação do movimento

O MPL avaliou a mobilização como positiva e destacou que o ato recolocou o tema da moradia no debate público local. “Foi bastante positivo, nossa mobilização foi vitoriosa, tirou a questão debaixo do tapete e trouxe de novo pra cima da mesa”, afirmou o porta-voz.

O movimento também reforçou que a reivindicação do 1% do orçamento busca ampliar investimentos estruturais na área habitacional, especialmente para famílias de baixa renda.

MPL Ponta Grossa cobra políticas para moradia digna
Foto: Projeto Elos

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