Emissão de atestados cai mais de 50% nas UPAs de Ponta Grossa após campanha

A emissão de atestados médicos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Ponta Grossa caiu mais de 50% em dezembro, na comparação com novembro, após a adoção da campanha de orientação “Atestado Responsável”, da Prefeitura de Ponta Grossa, voltada aos profissionais de saúde. Os dados, apresentados nesta quarta-feira (7), consideram os atendimentos realizados nas três UPAs do município.

Na UPA Santa Paula, que concentra a maior demanda de urgência e emergência, foram registrados 8,7 mil atendimentos em dezembro, com a emissão de 1,8 mil atestados médicos, o equivalente a 21% do total. Em novembro, a unidade havia contabilizado 9,5 mil atendimentos e 3,8 mil atestados, representando 40%.

A maior redução proporcional ocorreu na UPA Sant’Ana. Em novembro, a unidade havia emitido 2,3 mil atestados, o que correspondia a 36% dos atendimentos. Já em dezembro, o número caiu para 854 documentos, cerca de 14% do total.

A UPA de Uvaranas, a mais recente entre as três, também recebeu a campanha e apresentou queda significativa. Em novembro, foram registrados 2,2 mil atestados (31%), enquanto em dezembro o número foi de 977, equivalente a 14% dos atendimentos.

Segundo a secretária municipal de Saúde, Liliam Brandalise, os resultados estão ligados ao diálogo com médicos e equipes de saúde. “Tivemos um diálogo aberto com os médicos e demais profissionais de saúde sobre a importância do rigor clínico e o registro obrigatório de todos os documentos no prontuário eletrônico”, afirma.

Como funciona a campanha

Desde o início da campanha, pacientes que passam por atendimento e não têm indicação clínica de afastamento do trabalho recebem um documento que comprova o período de permanência na unidade de saúde. Já nos casos em que o afastamento é indicado, as informações precisam estar registradas e justificadas no prontuário eletrônico.

A secretária reforça que a medida não interfere na decisão médica. “É importante reforçar que, em nenhum momento, temos o objetivo ou estamos interferindo na autonomia médica de quem realiza o atendimento nas Unidades. A decisão clínica continua sendo exclusivamente técnica e do profissional que assiste o paciente”, destaca.

Alinhamento com outras cidades

A orientação foi formalizada no fim de novembro por meio de uma instrução normativa. A campanha resultou de debates técnicos e de articulações com o Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Paraná (COSEMS-PR), Secretaria de Estado da Saúde (SESA-PR) e Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), além de seguir práticas já adotadas em outros municípios do Paraná e em cidades de outras regiões do país.

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