Vereador afirma que modelo cívico-militar tem viés ideológico
O vereador Guilherme Mazer (PT) afirma que o modelo cívico-militar proposto pelo governo estadual é “ideológico”, sem base técnica e sem investimentos estruturais adequados. Para ele, a proposta não responde às demandas reais das escolas. “A desigualdade social chega na escola — e é por isso que a escola precisa de cuidado, não de farda”, declara.
Segundo Mazer, o governo ignora resultados já obtidos por escolas indicadas à militarização. Ele citou o Colégio Kennedy, que, de acordo com ele, apresenta aprovações em vestibulares, baixa evasão e forte participação estudantil. Para o vereador, esses indicadores mostram que não há relação entre militarização e melhoria de desempenho. As declarações foram dadas na Tribuna da Câmara Municipal.
Privatização e recursos públicos
O parlamentar também criticou a ampliação de modelos privatizados na educação estadual. Ele afirmou que o repasse médio por aluno na rede pública é de cerca de R$ 8, enquanto escolas com o programa Parceiro da Escola, por exemplo, recebem cerca de R$ 800 por estudante. Segundo Mazer, três empresas já acumulam R$ 155 milhões em repasses. “É um desmonte planejado da educação pública”, disse.
Mobilização das comunidades contra modelo cívico-militar
Mazer também questionou as mudanças nas regras das consultas realizadas nas escolas. Para ele, alterações em critérios de quórum e participação ocorreram sem transparência técnica, o que fragiliza o processo e pressiona famílias e profissionais. Apesar disso, o vereador destacou a mobilização da comunidade escolar.

“Professores, estudantes e famílias reafirmaram o modelo de escola que desejam. A escola deve ser o melhor lugar do bairro”, afirmou.
Ele acrescentou que reconhece o papel constitucional da Polícia Militar, mas defende que a corporação não interfira na gestão pedagógica das instituições. Os quatro colégios que tiveram votação para avaliar a mudança para o modelo cívico-militar tiveram a proposta recusada.
