Diretora reeleita com 95% dos votos é impedida de tomar posse em colégio
Uma advertência aplicada ao fim do ano letivo de 2025 impede a posse de Rosemeri Hoffmann Nogueira, diretora reeleita do Colégio Estadual Professora Sirley Jagas, em Ponta Grossa. A gestora obteve 95% dos votos válidos na eleição realizada em dezembro, mas foi informada, de forma não oficial, de que não poderá assumir o novo mandato devido a uma punição administrativa relacionada a um episódio ocorrido há dois anos, em 2023.
O caso gera reação da comunidade escolar, que articula um protesto em frente ao Núcleo Regional de Educação (NRE) no dia 5 de janeiro, além de questionamentos jurídicos sobre o processo que resultou na advertência.
Eleição e impedimento da posse da diretora
Rosemeri atua no colégio desde 2014, inicialmente como professora, depois como vice-diretora e, desde 2021, como diretora. Segundo ela, passou por todas as etapas exigidas para concorrer à eleição deste ano, incluindo cursos, provas e a apresentação de plano de ação no sistema da Secretaria de Estado da Educação (Seed).
“Em três dias de campanha obtive 95% dos votos válidos. Tive quórum e aceitação da comunidade. Isso no dia 2 de dezembro, durante a eleição”, afirma.
De acordo com o marido da diretora, Mário Nogueira Neto, a advertência foi aplicada no fim do ano, após a eleição, inviabilizando a posse. “O Núcleo de Ensino resolveu agora no final do ano, no ‘último minuto do segundo tempo’, puni-la com uma advertência. Esta advertência impede-a de assumir a diretoria”, conta.
Além disso, Mário alega que processo administrativo apresenta falhas: “interrogaram aluno menor de idade sem a presença de adultos; não interrogaram devidamente as testemunhas de defesa; além de vários atos em que ignoraram as normas da Seed”, afirma.
A eleição ocorreu no dia 2 de dezembro, no entanto, o resultado oficial só foi divulgado pela Seed no dia 18 de dezembro. Antes disso, no dia 12 de dezembro, foi publicada no Diário Oficial do Estado a Resolução nº 7.398/2025 – GS/SEED, que aplicou advertência à diretora. Rosemeri afirma que só tomou conhecimento da penalidade no dia 17, de forma informal, através de uma ligação.
A Resolução nº 7.398/2025 aplica advertência com base na Lei Estadual nº 6.174/1970, citando infração administrativa.
Entenda o episódio que motivou a advertência
A punição tem relação com um episódio ocorrido em setembro de 2023, quando alunos foram liberados 15 minutos antes do término da aula, com autorização dos pais, devido à ausência de professores.
Rosemeri relatou que a decisão foi tomada para garantir segurança e organização interna da escola. “Na última aula, tinha uma turma sem professor, e como tinha aula de Educação Física lá fora, a gente não podia pôr os alunos no pátio. A pedagoga falou: ‘se eu ligar para os pais, para eles virem buscar as crianças, podemos dispensar uns 15 minutos antes?’ Eu falei que se eles viessem buscar, podia”, relata.
Ela afirmou que os alunos receberam atividade e que nenhum ficou sem aula: “ela deu atividade, para eles não perderem a conteúdo que o professor daria no dia. Foi feito tudo certinho”.
Após a liberação antecipada, houve uma briga na rua envolvendo alunos que, segundo a diretora, não haviam participado da aula naquele dia. “Esses meninos nem tinham vindo para a aula, eles haviam gazeado a aula. Ficaram na rua esperando o outro aluno sair”, diz Rosemeri. Com isso, ela destaca que o foco da apuração não foi a briga, mas o tempo da liberação: “o núcleo nem se preocupou muito com a briga. Eles se preocuparam mais com os 15 minutos que os alunos ficaram sem aula”, disse.
Posicionamento da Seed e NRE
A equipe do portal Fornazari.com entrou em contato com a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) e com o Núcleo Regional de Educação de Ponta Grossa, que informaram apenas a nota oficial sobre o caso. Houve insistência para mais perguntas, mas os órgãos afirmaram que o posicionamento, até o momento, está limitado ao que está contemplado na nota abaixo:
“A Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) divulgará a abertura de vaga para a função de diretor do Colégio Estadual Sirley Jagas, possibilitando a inscrição dos candidatos previamente habilitados no respectivo processo. O chamamento de interessados ocorre a partir de 05/01.
A definição dos novos diretores ocorre a cada quatro anos, no segundo semestre do último ano do mandato vigente. Neste ciclo, participaram 1.452 candidatos habilitados a concorrer ao cargo de diretor em 1.115 colégios da rede estadual de ensino.”


