Servidores decretam estado de greve e pressionam Prefeitura em PG

Servidores municipais de Ponta Grossa decretaram estado de greve a partir desta quinta-feira (16), após assembleia com mais de 300 participantes, em meio ao impasse com a Prefeitura sobre reajuste salarial e vale-alimentação.

RESUMO
Categoria pode iniciar greve geral das atividades ainda em abril.

  • Estado de greve começa nesta quinta-feira (16)
  • Greve geral pode iniciar no dia 27, caso não houver acordo
  • Sindicato cobra diálogo direto com a prefeita

Assembleia define estado de greve

Servidores municipais de Ponta Grossa decidiram, por unanimidade, em assembleia realizada nesta quarta-feira (15), decretar estado de greve a partir desta quinta-feira (16). A decisão foi tomada com a participação de mais de 300 trabalhadores, em conjunto com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (SindServ).

A medida ocorre em meio ao impasse com a Prefeitura nas negociações da data-base de 2026, que envolvem reajuste salarial e aumento no vale-alimentação.

Apesar da decisão, a paralisação total dos serviços ainda não foi confirmada. Segundo o sindicato, a greve geral só será deflagrada caso não haja resposta da prefeita Elizabeth Schmidt até o próximo dia 20.

Greve depende de exigências legais

Durante a assembleia, o SindServ explicou que a decretação imediata de greve geral não é possível devido às exigências da Lei nº 7.783/1989, conhecida como Lei de Greve.

A legislação prevê a necessidade de tentativa prévia de negociação e a comunicação com antecedência mínima de 48 horas — ou 72 horas, no caso de serviços essenciais — antes da paralisação.

Segundo o sindicato, o estado de greve funciona como uma forma de pressão institucional para abertura de diálogo com o Executivo.

Possível paralisação a partir de 27 de abril

Caso não haja avanço nas negociações, o sindicato já indicou a oficialização da greve para o dia 22 de abril e paralisação geral dos serviços públicos a partir das 8h do dia 27 de abril.

O presidente do SindServ, Luiz Eduardo Pleis, afirmou que a categoria espera apoio da população diante do cenário de insatisfação.

“Promessas foram feitas na campanha e até o momento o servidor não conseguiu efetivar nessa última gestão da prefeita Elizabeth uma valorização real dos trabalhadores naquilo que eles fazem do dia a dia em prol da população.”

Ele também reforçou o indicativo de greve:

“Caso a prefeitura não abra o diálogo com os trabalhadores nos próximos dias, a partir do dia 27 de abril, nós estamos indicando a greve propriamente dita no município como um todo, com a paralisação dos serviços.”

Servidores apontam falta de diálogo

Na assembleia, servidores também relataram insatisfação com a condução das negociações. A professora Daiane Horst Nunes Bueno afirmou que a categoria não vê alternativa diante da ausência de retorno do governo municipal.

“Nós estamos saindo tristes daqui porque a culpa dessa greve não é nossa, a gente tá cobrando o nosso direito. O serviço público não iria precisar parar, desde que fosse feito o que é certo e o que é correto.”

Ela também destacou a falta de respostas às tentativas de negociação:

“Já foram tentados vários acordos, várias conversas e não teve nenhuma lacuna, nenhum retorno. Então, nós precisamos desse apoio, porque nós estamos lutando por uma educação melhor.”

Cronograma considera segurança jurídica

O sindicato também destacou que a definição de prazos leva em conta a necessidade de evitar questionamentos judiciais por parte do município, garantindo o cumprimento das exigências legais antes de uma eventual paralisação.

A entidade reforça que permanece aberta ao diálogo, desde que haja participação direta da prefeita nas negociações.

Relembre o caso

A mobilização dos servidores se intensificou após a paralisação realizada no dia 8 de abril, quando a categoria protestou em frente à Prefeitura cobrando reunião com a prefeita Elizabeth Schmidt.

Entre as reivindicações estão reajuste de 15% nos salários e aumento de 50% no vale-alimentação.

Na terça-feira (14), a Prefeitura publicou o decreto que oficializou o reajuste de 4,14% no vale-alimentação, equivalente a R$ 24,84, elevando o benefício para R$ 624,84.

O sindicato havia estabelecido prazo até esta quarta-feira (15) para que o Executivo agendasse reunião com a categoria. Sem retorno, a assembleia decidiu intensificar o movimento com a decretação do estado de greve.

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